kátharsis
Sobre a arte e o artista (Ou alguns artistas e algumas artes...)
Tem gente que sofre de tristeza profunda, uma patologia chamada depressão. eu não quero disseminar isso, dentro das artes de alguns artistas. mas observe, que está tudo dentro da arte, é para ser olhada de dentro dela, segundo a psicanálise é um mecanismo de defesa, chamado de 'sublimação'. a sublimação existe para que as dores não nos adoeçam, não virem loucura. o dever da arte então é aparecer, mostrar-se para alguém, a intenção de quem faz é inconsciente, um modo de dizer como se sente. é quando acontece a catarse. catarse , vem do grego 'kátharsis' que quer dizer 'purificação'. para aristóteles, a catarse é a purificação da alma por meio de uma descarga emocional; alivia a dor, é como se ela fosse repartida com o outro, então a tristeza desaparece. mas se é profunda ou se existem muitas tristezas numa pessoa só, ela corre o risco de voltar. então, novamente recorre-se a arte. e a cura? eu sinto dizer que em alguns casos, a tristeza pode estar no nosso código genético, ou seja, tem gente que nasce triste, desse modo a medida paliativa que considero mais adequada, é se tornar um artista, um escritor, um poeta. isto pode ser uma medida, mas também é algo natural, quero dizer, que o fazer artístico muitas vezes está inerentemente ligado à um ser humano que nasceu triste. parece-me até não muito de longe, algo biologicamente cultural, tem gente que nasce triste, sendo assim, tornam-se poetas, escritores, artistas que produzem coisas igualmente tristes.
como podemos lidar com isso? não serão necessários ansiolíticos ou antidepressivos, a homeopatia para todas as crises de tristeza será a arte. mas se alguém preferir os remédios, tudo bem, só não haverá arte. e se perguntarem da minha opinião, bem, eu sei que 'ostras felizes não produzem pérolas', e que a vontade de não sentir nada pode ser bem convincente ou tentadora, mas olhando de modo fenomenológico, sentir as coisas, sentir o mundo, sentir-se, é altamente humano, refletir como podemos viver isso, igualmente.
para meus amigos ausentes ou não.
*Este texto é literário, de teor poético, não científico.

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